Existem diversos motivos pelos quais escondemos nossas opiniões dos outros.
Um deles é a conformidade social, estudada por Solomon Asch, que nos leva a querer nos encaixar em um grupo.
Outro é a espiral do silêncio, teoria da comunicação proposta pela cientista política alemã Elisabeth Noelle-Neumann, segundo a qual tendemos a silenciar nossas opiniões quando acreditamos que estamos em minoria ou que podemos ser rejeitados por expressá-las.
A ilusão coletiva, descrita pelo cientista Todd Rose, pesquisador de Harvard, afeta todas as pessoas que fazem parte de uma sociedade que exige determinado tipo de conformidade cultural.
"Quando presumimos que todo mundo concorda com certas normas ou comportamentos, embora isso não seja verdade, acabamos moldando nossa vida com base em uma ficção", explica.
Essa ilusão coletiva é justamente o hábito que pode desgastar o seu bem-estar e afastá-lo do seu verdadeiro eu.
Todos aceitamos certo grau de conveniência para que a vida em sociedade funcione. No entanto, esse desejo de nos encaixarmos — algo natural para o ser humano, segundo a psicologia social — faz com que ajamos de maneira contrária ao que realmente queremos e pensamos.
"Acreditamos que nos conformar nos fará pertencer, mas isso nos desconecta de nós mesmos e dos outros", afirma Rose.
Esse hábito de dizer uma coisa enquanto se pensa outra cria uma dissonância que pode provocar sofrimento psicológico e prejudicar nossa felicidade. Inclusive, ele está associado a sintomas de depressão.
Como explica o especialista em felicidade de Harvard Arthur C. Brooks, em The Atlantic, "afastar-se daquilo em que se acredita, por temer que essa não seja a opinião da maioria, significa correr o risco de sofrer exclusão social".
Nas palavras de Brooks, trata-se de um paradoxo que nos torna infelizes. Afinal, quando expressamos uma opinião com a qual, na verdade, não concordamos apenas porque acreditamos que ela é popular, sentimos dor emocional para evitar outra dor: a da rejeição social.
A solução, segundo Brooks, está em "superar o medo da rejeição ao expressar a própria opinião". Para isso, o especialista propõe três passos.
Segundo Brooks, "a autocensura cria um padrão de desonestidade pessoal". Quando dizemos algo em que não acreditamos por medo ou conveniência, estamos traindo a nós mesmos.
Esconder nossas verdadeiras ideias ou emoções para nos encaixarmos gera, como vimos anteriormente, uma dissonância cognitiva capaz de provocar estresse e aumentar os níveis de ansiedade.
Por outro lado, estudos encontraram correlações positivas entre autenticidade, bem-estar subjetivo, autoestima e satisfação nos relacionamentos.
Além disso, de acordo com a renomada psicóloga Brené Brown, aceitar as próprias imperfeições e agir com autenticidade reduz a ansiedade social e favorece conexões genuínas — algo essencial para construir relações saudáveis.
Como destaca Brooks, "mentir voluntariamente apenas para se encaixar é como escolher viver em uma prisão: a verdadeira felicidade exige liberdade na forma da honestidade, aconteça o que acontecer".
Do ponto de vista evolutivo, o medo da rejeição e do isolamento é profundamente humano, já que nosso cérebro associa essas experiências ao perigo — afinal, para nossos ancestrais, ser expulso do grupo significava morrer. No entanto, é possível ressignificar esses conceitos e adaptá-los ao contexto atual.
Quando fazemos uma reinterpretação cognitiva, o sentimento de rejeição pode passar a ser visto como um sinal de autonomia e coerência interna, algo extremamente fortalecedor.
Ao mudarmos a forma como interpretamos um acontecimento, também transformamos nossa resposta emocional a ele. Brooks afirma que podemos "reinterpretar a rejeição como a decisão de seguir o próprio caminho, e o isolamento como uma solidão benigna diante do ensurdecedor coro de aprovação do que é popular".
Essa postura é mais autêntica e, no longo prazo, mais benéfica para o bem-estar.
"Tudo o que você precisa para ser independente em suas ideias é separar sua atenção e sua energia da fonte de opiniões consideradas aceitáveis, mas que, na sua visão, estão erradas", explica Brooks.
Essa afirmação está alinhada ao conceito de estabelecer limites saudáveis em favor da autoestima e do bem-estar.
Estudos mostram que, quando nossa mente permanece voltada para pensamentos e ambientes indesejados, experimentamos menos felicidade. Da mesma forma, quando desviamos nossa atenção de ambientes ou relacionamentos que incentivam a falsidade ou o conflito, reduzimos o estresse e preservamos a estabilidade emocional.
"Se, na sua opinião, seus amigos dizem bobagens, você não precisa refutá-los nem condená-los. Simplesmente pare de ouvi-los e procure novos amigos", afirma Brooks.
No fim das contas, é melhor permanecer fiel às próprias convicções do que mentir para si mesmo apenas para conseguir se encaixar em um grupo.